Carta 15 - O Urso (o instinto humano)

Quero falar sobre o lado instintivo da natureza humana, do lado que permanece em estado bruto, como uma joia que ainda não foi lapidada. 

Este post é um convite para você olhar, sem julgamento, para o seu lado selvagem e brutal, pois cada um precisa desenvolver um aspecto em sua personalidade. Este é o primeiro passo para a compreensão de que todos possuem limitações. Assim fica mais fácil aceitar o outro e ter uma convivência mais harmônica. 

Pelas lições que a vida dá, qualquer pessoa pode se melhorar, através de algumas situações (doenças, assaltos,  perdas..) e, principalmente, pelos relacionamentos. Mas não preciso passar por um sofrimentos, basta observar mais. 

A intensidade (e suas manifestações) variam, mas todos sentem inveja, ciúmes, já foram agressivos alguma vez, já se sentiram envaidecidos. Quem nunca enfrentou um luto ou uma depressão? 

Sugiro uma auto reflexão sobre si mesmo, para um entendimento melhor a força voraz desta carta. Esta é uma oportunidade de você identificar que tipo de energia você emana e que tipo de pessoas você atrai para os seus relacionamentos. 


Ego/Orgulho/Vaidade/Soberba/Arrogância/Narcisismo:
Pessoas com o ego inflado apreciam muito serem admiradas para alimentar a sua auto-afirmação. Gostam de se sentirem os donos da verdade, de se sentirem superiores, maiores e melhores que os outros e, é claro, que os holofotes estejam voltados para si, pois anseiam, constantemente, por aplausos. Acabam atraindo pessoas dependentes ou submissas em seus relacionamentos.
O orgulho é a convicção interna de sua superioridade e a vaidade busca por admiração externa para sentir-se elevado, por isso se expressam com arrogância e soberba. "O orgulho é silencioso e a vaidade é faladora".
Pessoas assim ainda não aprenderam que todos são iguais, que todos estão neste planeta para evoluir e que a humildade pode ser vivenciada com naturalidade.  

Link sugerido:
http://www.bugei.com.br/artigos/index.asp?show=artigo&id=74


Ostentação
Pessoas que valorizam as aparências e gostam de ostentar o que possuem, tem a necessidade de "mostrar" o que tem, o bom carro que dirige, as marcas das roupas que usa, o relógio caro...no fundo sentem um vazio interno que procuram preencher e se sentem mais seguras pelas "etiquetas" que usam para se sentirem aceitas em um grupo, por isso, em seus relacionamentos, costumam atrair pessoas interesseiras, que só visam o externo ou o que elas tem para oferecer de material, porém no momento da dor, encontram-se sozinhas, porque dão tanta importância as aparências que não sabem (ou não querem) entrar em contato com o seu íntimo e com o íntimo das pessoas que as rodeiam.
Essas pessoas ainda não aprenderam a auto-valorização, ainda não se aceitam pelas pessoas que são de fato, ainda não sabem se aceitar do jeito que são, por inteiro, com suas qualidades e defeitos. 


Inveja
Pessoas invejosas querem o que o outro tem, sem levar em consideração o tempo de dedicação que o outro levou para conquistar os seus objetivos, também não consideram o esforço que
o outro utilizou no desenvolvimento dos seus próprios recursos para chegar onde chegou. Por isso sentem-se constantemente frustradas...e infelizes, porque procuram eliminar a concorrência, através da crítica, da manipulação, rivalidade ou vingança. 
Pessoas assim não tem autoestima e se julgam incompetentes, não confiam em si mesmas e ainda não aprenderam a usar os seus recursos internos para conquistar o que querem e, que, o outro seja, apenas, uma fonte de inspiração. 

Link sugerido: 
http://id.discoverybrasil.uol.com.br/inveja-um-sentimento-que-sucumbe-a-infelicidade/
http://www.personare.com.br/inveja-sinal-de-alerta-para-a-autoestima-m2705


Ciúme
Pessoas ciumentas possuem constantemente o medo (real ou imaginário) de perder a pessoa amada. Se sentem inseguras e odeiam tudo que gira em torno do parceiro(a), como familiares e amigos. Vasculham a carteira, o celular, as redes sociais, por isso acabam se tornando dependentes emocionalmente. Por não terem autoestima são dominadoras, querem controlar o outro, fazendo exigências, chantagens emocionais e manipulações vãs, no intuito de manter o outro sob o seu poder.
Pessoas assim ainda não aprenderam a relaxar e sobretudo, não aprenderam a confiar em si (e no parceiro).

Link sugerido:
http://www.brasilescola.com/psicologia/ciumes.htm


Falsidade
Mentir faz parte da natureza humana, ainda mais na sociedade em que vivemos, onde as aparências são mais valorizadas do que o valores morais. Por mais verdadeira e honesta que a pessoa seja, vez por outra, acaba falando uma mentirinha, mesmo que seja um mentira bem inocente. 
Neste momento coloque a mão na consciência e seja bem honesto consigo mesmo, não se engane, não use o artifício de não querer se enxergar. 
Quantas vezes você não foi franco consigo mesmo e com o outro? Quantas vezes você fingiu estar bem, mas no fundo só queria um colo para chorar? 
Quantas vezes você disse sim querendo dizer não? 
Quantas vezes você traiu e enganou o seu parceiro(a)?
Quantas vezes você foi infiel? 
Lembre-se das canções: 
"Quantas mentiras você teve que cometer?" Oswaldo Montenegro
"Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira" Renato Russo
Os dissimulados desenvolveram este tipo de recurso, talvez na infância, pelo medo da punição ...ou da rejeição.
Pessoas assim ainda não aprenderam a ser francas e espontâneas consigo mesmas e com o outro. 


Preconceito
O pré-conceito é não aceitar que as pessoas sejam diferentes, é o apego excessivo as suas próprias ideias, sem considerar o livre arbítrio que todos possuem. O preconceito gera um comportamento hostil e muitas das vezes agressivo, o que mantém uma barreira intransponível. Pessoas preconceituosas possuem muito apego aos seus próprios conceitos, por isso acabam discriminando e segregando o que é diferente, querem impor o seu sistema de crenças e rejeitam o que é diferente de si. Estão tão presas aos seus valores que perdem valiosas oportunidades de se abrirem para o novo, de crescerem enquanto indivíduos, por se recusarem a aceitar e a conviver com pessoas diferentes (e maravilhosas).

Os preconceitos mais comum são: o social, o racial e o sexual.
A classe A que não se mistura com a classe B e que despreza a classe C. O gestor de uma empresa que não cumprimenta a faxineira. Muitas das vezes uma pessoa humilde possui a sabedoria (e experiência de vida) que uma pessoa de uma classe superior não possui. Sou gentil com todos, do pobre ao rico. 
Quantas pessoas já morreram em nome de Jesus, Maomé ou Alá? Quantos judeus e ciganos foram perseguidos, torturados e mortos? E quantos já mataram em batalha, apenas para defender a sua própria ideologia ou crença? Acredito cegamente que a primeira lei de Deus é a Liberdade de escolha!! A intolerância religiosa já cometeu crimes bárbaros que estão acima da minha compreensão, por isso não sigo nenhuma religião.
Não torço para nenhum time de futebol (em função de se sentirem pertencentes a um grupo, e pelo dever de serem fieis, quantas torcidas organizadas já se enfrentaram em provocações tolas e brigas vãs?). Também não torço para nenhuma escola de samba (quanto sofrimento quando uma escola adversária atinge uma pontuação superior). 
Confesso que eu não sofro destas paixões. Para mim tudo é valido. O racismo, AINDA, nos dia de hoje, me deixa chocada. A cor da pele pode até ser diferente, mas o coração e o sangue possuem a mesma cor. E o que dizer da cor da alma??? Qual é a cor da sua alma, pela energia que você emana? 
Homofobia (quantos gays (e travestis) já foram espancados até a morte, sem chance de defesa, pela intolerância machista? A covardia é implacável). Desde o início da civilização humana a homosexualidade existe. Prefiro (mil vezes) um homosexual que tem a coragem (e a alegria) de amar do que uma pessoa preconceituosa que se julga melhor ou superior, portanton não ama.
Pessoas assim ainda não aprenderam a equilibrar as diferenças e a respeitar a liberdade do outro. É preciso resistir a tentação de impôr o seu estilo de vida. Respeito é fundamental para que os relacionamentos funcionem bem. Não julgar para não ser julgado. É possível discordar, sem condenar, sem humilhar e sem rejeitar o outro. É possível aceitar o outro no exercício da sua liberdade. É possível viver em harmonia. É possível viver em paz. 



Agressividade
Pessoas agressivas cometem atos violentos, através das palavras que causam danos emocionais ou do combate físico, que geram lesões corporais, às vezes irreversíveis. 
Veja o caso da Maria da Penha que levou um tiro do marido que a deixou paraplégica, porém seu sofrimento não foi em vão. Seu nome virou lei de proteção contra a violência dirigida as mulheres. Veja o caso de abusos contra as crianças. Muitos pais espancam (e extravasam a sua violência) em nome da educação que dão aos filhos. O que eles pretendem ensinar, através da agressividade?
Quantos animais são torturados (até a morte) pelos seus donos?  
Quantas pessoas idosas sofrem maus tratos (e abandono) por seus filhos ou por quem deveria cuidar deles?

Quantas pessoas se agridem (na auto-condenação), se mutilam na tentativa de conter o mal que mora dentro delas e que as aflige? A autoflagelação é o comportamento que pretende exterminar com o mal que reside dentro de si. 
O impulso é mais forte do que o autocontrole. O ataque é a melhor defesa para as pessoas que utilizam a intimidação para se expressar e para se sentirem no poder. A aspereza das palavras fere e afasta as pessoas. 
Pessoas assim ainda não aprenderam a dominar o seu impulso violento, não aprenderam o autocontrole e não aprenderam a relaxar.


Depressão/Luto
Em tempos difíceis o urso precisa hibernar, para se recuperar de uma fase difícil (separação, perda de um emprego), por estar exausto e precisa se recolher para descansar ou por se sentir completamente sem forçar para caçar (ou lutar). O desanimo é generalizado, falta forças e vontade de prosseguir. A Desistência e o auto-abandono se instalam. Só quem já passou por uma depressão sabe exatamente o que é se sentir assim.
Sentir tristeza é normal, mas lembre-se: "A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional". 

Não é fácil lidar com a perda, principalmente quando a perda se refere a alguém que se ama, seja por uma separação ou por um desencarne. Não somos ensinados a perder, por isso muitos se sentem fracassados nos relacionamentos que não deram certo, culpados pela falta de atenção ou exauridos por tanta dedicação que foi em vão. A dor da perda deve ter um prazo de validade para não prolongar o sofrimento. Além do mais, a vida nos empurra a seguir a diante. 
Pessoas que se sentem constantemente deprimidas devem buscar uma ajuda terapêutica, devem encontrar prazer em uma atividade, seja em um esporte, em uma dança, na prática do yoga...devem aprender coisas novas e a acreditar que novos dias virão, pois o instante de ser feliz é o agora.

"Há sempre o momento de pedir ajuda, de se abrir, de tentar sair do buraco. Mas, antes, é imprescindível passar por uma certa reclusão. Fechar-se em si, reconhecer a dor e aprender com ela. Enfrentá-la sem atuações. Deixar ela escapar pelo nariz, pelos olhos, deixar ela vazar pelo corpo todo, sem pudores. Assim como protegemos nossa felicidade, temos também que proteger nossa infelicidade. Não há nada mais desgastante do que uma alegria forçada. Se você está infeliz, recolha-se, não suba ao palco. Disfarçar a dor é dor ainda maior". Martha Medeiros.



Paixão desenfreada
Algumas pessoas não controlam os seus sentimentos, seja por alguém, por um time de futebol, por uma religião, por uma escola de samba, por um partido político, por um ideal. O sentimento de pertencimento é tanto, que o outro passa a ser a extensão de si mesmo, isso serve para a relações simbióticas, que aprisiona ao invés de libertar.
"Exagerado, jogado aos seus pés, eu sou mesmo exagerado".
Há uma força incontrolável....qual é o limite?
Pessoas assim ainda não aprenderam a sentir as emoções com tranquilidade.



Compulsão
Algumas compulsivas precisam preencher um vazio dentro de si, por isso desenvolvem uma compulsão alimentar, sexual, por um esporte, por um vício, por comprar. Pessoas assim, engordam, se endividam, se autodestroem...sofrem muito e geram muito sofrimento. Pessoas compulsivas devem aceitar que precisam de ajuda psicológica para lidar com a compulsão, para aprender a se controlar e a diminuir o vazio interno. Onde está o limite?
Pessoas assim ainda não aprenderam a enxergar as suas potencialidades, ainda não descobriram a sua riqueza interna, os seus verdadeiros talentos. 


Mente quem diz que não sente ou nunca sentiu ciúme, inveja, depressão ou afins. Somos humanos, não robôs, a questão é "como" cada um reage diante do que está sentindo no momento e como desenvolve um tipo específico de comportamento.

Por isso é importante estar conectado com o seu próprio mundo interno. É importante ter empatia pela dor do outro, é importante cada um buscar o seu aprimoramento pessoal, reconhecer as próprias deficiências para transformar o instinto humano em evolução. É importante descobrir o seu próprio potencial.