Carta 27 - A Carta - Por Tânia Durão

Na era digital, onde a internet invadiu a nossa vida sem pedir licença e nós, sem piedade, nos atiramos as cegas à tecnologia (e-mails, msn, lap top, sms, ipod, celular, redes sociais, facebook, blogs, sites, flyers) para nos comunicarmos....e dizemos tão pouco...

A comunicação está cada vez mais difícil entre as pessoas. E as pessoas estão cada vez mais distantes e isoladas. Nos meus atendimentos com As Cartas Ciganas, Reiki ou aconselhamento metafísico, vejo, nitidamente, como as pessoas (e eu me incluo), ainda são travadas para se colocarem, sentem dificuldade (como eu) em dizer não ou de impor limites.  

Tem gente que fala sem parar, mas não diz nada. Há quem fale pouco, mas diz tudo em poucas palavras. Há os que são confusos na hora de dar uma simples informação. Há os charmosos e sedutores, mudam até a voz para exercer toda a sua languidez. Há os que fazem questão de demonstrar toda a sua infantilidade, se inconscientizando e usam este recurso para não se responsabilizar pelo seu comportamento. Há os que falam alto demais ou baixo demais ou depressa demais ou lento demais ou engraçado demais...há tantas formas de expressão.

Ok, concordo que há várias formas de se expressar no mundo, através da escrita, da música, da dança, da pintura, da escultura, da pichação ou do grafite. Acredito que o silêncio também é uma forma de protesto, inclusive, no México, se fez a "marcha do silêncio" (a mensagem dos maias). Para maiores informações, por favor, procurem no google. Outras vezes, o  silêncio é usado como agressão...às vezes, as pessoas se calam, só para agredir. 

Acredito que um dos grandes males do século é a falta de comunicação ou a inadequação em se expressar como as pessoas deveriam. Mas entendo que tudo começa com a famosa frase (quase ameaça): "Engole o choro, menino!" ou simplesmente "não chore". Uma criança que ouve esta ameaça/frase, aprende, desde cedo, que é errado expressar o que sente. Resultado? um adulto travado e com uma forte possibilidade de sentir dores na garganta ou nas cordas vocais. Às vezes quando eu perco a voz, eu sei que deixei de dizer o que sentia.

Para mim sempre foi mais fácil escrever, do que falar, por covardia, talvez, pois escrever é uma forma de continuar a me sentir escondida e assim eu não me exponho tanto. 

Lembro que, há alguns anos atrás, a minha terapeuta me incentivava a divulgar o meu trabalho através de um blog. E como eu resisti. Meu Deus, como eu r-e-s-i-s-t-i!!! Verdade seja dita, devo o sucesso deste blog a Carolina Duarte, a quem eu nunca expressei o meu devido agradecimento. Esta é uma forma, tardia, eu sei, e torta, também, de agradecer publicamente a minha terapeuta, pelo seu excelente trabalho comigo, pois cresci muito e em pouco tempo nas sessões que tive com a Carolina Duarte.  A você, Carolina, o meu MUITO OBRIGADA, pela sua competência e generosidade. 

Agora, mudando de assunto, me diga francamente e sem receio de sofrer retaliação, qual é o resultado do reforço negativo???

Hoje em dia é mais fácil as cobranças, as críticas, as acusações,   as humilhações do que os elogios. Honestamente eu acredito mais no reforço positivo através do elogio, pois o mesmo incentiva as pessoas a buscarem a evolução de si mesmas. 

Outros aspecto importante na comunicação, ninguém para para ouvir ou, simplesmente, não dá atenção. Pode haver um corpo na nossa frente, mas sua presença está em outra galáxia. Estar presente é uma coisa e ter presença é outra coisa completamente diferente. 
No último natal vi que um dos membros da família não desgrudou do seu celular, ele simplesmente não estava conosco, apenas seu organismo físico estava na sala, mas seu espírito estava em outro lugar. 

Desde pequena, pessoas desconhecidas e em situações bem inusitadas, no mercado, ponto de ônibus, na praia...todo tipo de gente se sentia a vontade para desabafar comigo. Então, ao longo da minha vida, aprendi a ouvir, a ouvir com atenção, não simplesmente a ouvir com os ouvidos, mas a ouvir com os sentimentos...e a entendê-los...acho que por isso me tornei terapeuta...ou...a vida me fez terapeuta. 

Numa discussão ninguém se ouve, cada um quer gritar suas queixas e/ou suas ofensas cada vez mais alto, para ser ouvido, é claro.

Ouvir também é se comunicar!!! Pois é neste instante que damos espaço para o outro se expressar. 

Agora eu proponho uma reflexão...
Qual foi a última vez que você, sinceramente, disse: Eu te amo.
Em que condições você disse: Não te quero mais!
Como foi ouvir: Não te quero mais!
Como você se sentiu ao dizer: Me perdoa.
Como você se sente quando alguém te pede: Perdão.
É fácil dizer: Adeus?
Quando você disse: Basta!!
Como você disse: Basta!!
Quando e como você diz: Não.
Quando você se permitiu dizer: Sim...Sim...Sim


Minha sobrinha preferida... e única sobrinha.

Dedico este post a minha sobrinha linda, educada, amorosa, inteligente, amiga, sensível, gentil, que sabe ouvir, e, é mais do que amada. 
Seu nome é Lara Durão. Ela me inspirou a escrever este post. E me sinto livre para expressar o meu amor por ela. 
TE AMO ASSIM, DE UM JEITO BEM ENORME!!!