As Cartas Ciganas e a Terapia

Terapia em grego significa prestar cuidados, tratar pela medicina convencional ou holística. Holos em grego significa inteiro, integral, total. O ser humano é composto por 3 partes:

Corpo (05 - árvore)
Mente (04 - casa: em equilíbrio ou 06 - nuvens: desordenada)
Espirito (31 - sol)

O ideal é que estas três partes estejam em harmonia (30) para que o homem caminhe (22) na vida com o propósito de evoluir (12). 

Sabemos que a função de um oráculo é revelar a alma do consulente. Terapeuticamente nos tornamos detetives emocionais, pois a alma se expressa através das emoções e das sensações, por isso podemos investigar livremente como o consulente se sente.


Eu leio As Cartas Ciganas de uma forma terapêutica, porque o terapeuta (leia-se cartomante também) é, antes de mais nada, um cuidador. Para cuidar é preciso conhecer e conhecimento exige observação/atenção/foco (14). Eu leio As Cartas Ciganas, leio o meu consulente e me leio na hora da consulta. 


Na qualidade de terapeuta, utilizo As Cartas Ciganas como um instrumento de auto-conhecimento, pois são as escolhas de hoje que determinam o futuro. Por isso leio o presente!! Estou atenta no aqui e no agora, porque é, de fato, o único instante, que realmente, possuímos. 

Muitas escolhas são baseadas nas emoções! Que emoção o consulente está emanando na hora de consulta? Medo, alegria, raiva, tristeza, afeto? O ser humano age e reage de acordo com a emoção do momento. E isso define o seu comportamento, além dos valores recebidos pela sociedade. Ajudar o consulente a olhar para dentro de si, a entrar em contato com as emoções e a abandonar velhas crenças que não servem mais é tarefa do terapeuta/cartomante. 

Quando nos analisamos (sem julgamento), fica mais fácil auxiliar o nosso consulente:

O que estou sentindo agora? 
Como vou agir ou reagir? 
Como me relaciono com as pessoas? 
O meu comportamento é o mesmo em casa e no trabalho? 
Quais são os meus desejos? O que me deixa inquieto e angustiado? O que me deixa em paz e em harmonia? 
Que tipo de energia eu emano? 
Que tipo de pessoas eu atraio para mim? 
Que tipo de relacionamento eu construo para mim? 
Você costuma fazer este "contato" com você mesmo, faz uma auto-análise?

A vida é feita de ciclos. Um dia você conhece alguém e o namoro começa, outro dia o namoro acaba. Um dia você sai de casa, outro dia, o seu filho sai de casa. Um dia você pede demissão, outro dia você é demitido. Como você lida quando um ciclo termina? Você se revolta, se deprime, se vitimiza? Ou se prepara para o novo ciclo?

Olhar (14) para dentro (08) de si é a chave (33) para o auto-conhecimento, a auto-aceitação e auto estima. 


O terapeuta ouve sem julgamento e é um investigador (jamais um juiz). Um bom detetive, não tem medo de perguntar: Você é casado? tem filhos? Trabalha? como vai o trabalho? como vai o casamento? como vai o coração?


O cartomante/terapeuta não pode se sentir melindrado e deve estar preparado para "frustrar" o consulente, no momento de cortar/acabar (10) com as suas fantasias, ilusões e expectativas (06) e quando necessário, colocar os pés dele, bem firmes, no chão. Sim, somos portadores de mensagens que o consulente não quer ouvir, principalmente se outro(s) cartomante(s) disse(eram) justamente o contrário. Me mantenho serena e confiante diante do que as cartas estão dizendo. E estou pronta para receber a recusa, a resistência, o choro e até o ataque de perereca por parte do consulente. 

Como terapeuta, a minha postura é de um espelho para que o consulente se veja, se sinta e se transforme. Também me coloco na condição de resgatar a sua auto-estima, auto-confiança e, muitas das vezes, recuperar a sua esperança, principalmente em casos extremos de pensamentos suicidas (10+31).

Não vejo diferenças entre terapeuta e cartomante, pois as duas moram em mim. As Cartas Ciganas é a ponte para eu conhecer e cuidar do meu consulente, ajudá-lo a crescer, a mudar de lugar, a olhar para si e a ser mais feliz. 

Podemos identificar qual lugar o consulente está ocupando no momento da consulta: lugar de vítima, lugar de vingativo, infantil, inseguro, culpado, coitado, arrependido, rancoroso, agressivo, generoso, que se anula.....Para identificar este lugar, basta ouvir com bastante atenção, como um cientista que espera o resultado da sua pesquisa. Ouça sem julgamento e sem interferir, não interrompa o consulente, deixe ele concluir o que está falando (e, claro, evite, ao máximo, falar de você mesmo). Depois podemos "tentar" fazer com que ele saia deste lugar para ocupar outro, assim ele muda de ângulo (e de olhar) e passa a ampliar o entendimento sobre si mesmo ou sobre a situação que está vivendo. Deste jeito ele pode mudar e se transformar internamente (08), pois olhou para si mesmo, entrou em contado com alguma emoção e mudou de lugar.

Gosto de usar (e abusar) de duas perguntas simples: "como" e "o que", evito, ao máximo, usar o "porque", pois o porque fica preso ao mental e o meu objetivo é atingir as emoções e sensações, porque a alma se expressa através das emoções e sensações. 

Exploro o COMO e O QUE:
Como você se sente?
Como foi para você?
O que você sentiu quando isso aconteceu?
Como você reagiu a este fato?
Como você construiu esta relação?
Como você contribui para a situação chegar até aqui?
O que você quer?
Qual é a sua expectativa? O que você espera?
Como você está se sentindo agora?

O fato do consulente chorar, falar, desabafar permite que aquela emoção/energia seja descarregada e o consulente sai mais leve da mesa de leitura. Sempre digo que o consulente merece todo o meu respeito, porque:
1º ele foi até as cartas (ou a mim) e isso é um pedido de ajuda.

2º ele está na minha frente, com todas as suas resistências=defesas, fragilidades e potenciais. 

3º ele está diante de mim para levar uns puxões de orelha, para apanhar = ouvir as verdades que a alma dele tem a dizer, e, às vezes, de um jeito muito duro. 

É claro, que ele pode aceitar ou não, as recomendações da própria alma, pois todos são livres (e eu não abro mão disso). Todos são livres, inclusive, para permanecerem no inconsciente e para continuarem fazendo escolhas ruins para si mesmo. 

Não interfiro na liberdade de ninguém (isso é magia negra), mas convido o consulente a "olhar" para dentro de si, entrar em contato com as próprias emoções, a identificar o lugar que está ocupando e para transformar o que não está bom, dentro da sua disponibilidade.

Tenho como meta que o consulente saia melhor do que entrou na minha mesa de leitura, isso quer dizer que ele saia mais esclarecido sobre si mesmos, sobre as questões que ele trouxe e sobre novas possibilidades de ser feliz.