Carta 09 - O que te faz feliz - por Victor Magalhães.

Desde as primeiras civilizações, o ser humano busca a felicidade. Ao longo dos séculos, muita gente procurou esse ideal de forma incessante e incansável. Muitas delas fracassaram, se perderam, e, principalmente, se enganaram, ao tentarem ser felizes.
Ao longo das últimas décadas, muitos livros foram escritos (e ainda serão) sobre como ser feliz. Mas, este texto não tem como função lhe dizer como ser feliz ou como atingir esse objetivo. Se fosse tão fácil assim, não existiria tanta gente frustrada no mundo, não é mesmo? Não quero ter essa pretensão. Sabe por quê? A felicidade é um despertar. Não é algo que se aprende lendo em livros, não é algo que está na sua carreira, nos seus filhos ou nas suas relações afetivas. Isso é fuga. Existem atalhos, caminhos, mas tudo que precisamos está dentro, nunca fora. A sua tão sonhada felicidade está dentro de você, dentro de mim, dentro de nós. Todavia, estamos cegos. Enxergamos com os olhos da razão, mas feliz é aquele que sente, e não aquele que pensa.
Quando você pensa, acha que a felicidade é ter um bom emprego, uma carreira sólida, filhos lindos e um relacionamento perfeito, como num comercial de margarina. A publicidade vende bem esse ideal, a televisão, os filmes. Os meios de comunicação tem uma parcela de culpa nisso. Veja menos TV, fará bem a sua sanidade mental.
Aquele que sente, acha que felicidade é aquilo que faz seu coração bater mais forte, que não se prende aos conceitos sócio-culturais, que não se importa com os modelos impostos pela sociedade, apenas se deixa ser guiado pelo seu coração.
Mas, o que impede muita gente de ser feliz é o medo. Segundo Edward Bach, ele diz que o “medo naturalmente aumenta na proporção que damos importância as posses materiais (sejam do próprio corpo ou de riquezas exteriores).”
O materialismo nos faz reféns de nós mesmos. Nós somos o nosso próprio algoz. Somos escravos de um estilo de vida caótico e doentio, escravos de relações abusivas, do emprego massante etc. Quantas pessoas você não vê numa segunda-feira esperando pela sexta? Estamos vivendo de intervalos, de finais de semana, das férias de 15 dias duas vezes por ano e quando você vê, a vida passou e não foi feliz.
Claro que precisamos trabalhar, ter uma casa, um mínimo de conforto, entretanto, não podemos ser escravos disso. Muita das coisas que temos, podemos viver sem.
Osho diz que nossa vida é um conjunto de crenças transmitidas pelos outros, pela sociedade, que impõe isso antes mesmo de nascermos. A felicidade não pode ser dada a você, porque ela está em você. Esqueça os outros, suas crenças, seus padrões, seus ideais. São deles, não seus.
A gente começa a perceber que para sermos felizes, não precisamos de muito. Entretanto, é difícil tirar o véu da ilusão, do materialismo, dos grilhões mentais que nos aprisionam dentro de nós mesmos, onde somos o nosso próprio carrasco. Contudo, ter consciência disso já é um grande começo. A busca é o início de qualquer jornada. Só de ter vontade de ser feliz, já está fazendo muito. Então, não espere para ser feliz no final de semana. Você pode ser feliz numa terça-feira nublada. Sua felicidade não depende de agentes externos. Não precisa esperar por suas férias. Não viva de intervalos. Então, o que te faz feliz? Pense e busque esse ideal. Reflita, mas, o mais importante de tudo: sinta. Não viva para os outros, viva por você.