A conduta de um consulente - por Tânia Durão

Alguns consulentes chegam na minha mesa de leitura cheios de ansiedade. Outros chegam muito perdidos, sem saber o que fazer ou que rumo seguir em suas vidas. 

Compreendo que em algumas situações, vivemos fases difíceis e que realmente nos sentimos inseguros. Sei que uma orientação vai ajudar a clarear a mente e que, às vezes, um belo puxão de orelha resolve para a pessoa sair do estado de confusão. 

Mas ficar dependente de um oráculo não é uma boa atitude. Até porquê a verdadeira função de um oráculo, seja ele qual for, é revelar o inconsciente da pessoa. E inconsciente é igual a alma. 
Nós, cartomantes, através das cartas, fazemos a ponte entre a mente e a alma do consulente, para que ele faça as próprias escolhas em sua vida. E eu acredito cegamente em liberdade. 

Sim, as pessoas são livres para viverem suas vidas cometendo os mesmos erros, assim não aprendem nada e vivem ciclos viciosos. 

Sim, as pessoas são livres para viverem as suas vidas acomodadas e estagnadas, assim não mudam, ainda que esperem resultados diferentes.

Sim, as pessoas são livres para produzirem infinitos medos, por isso não se arriscam, não ousam e vivem frustradas. 

Sim, as pessoas são livres para culparem a terceiros pelos seus fracassos, assim não assumem a responsabilidade que lhes cabe. 

Sim, as pessoas são livres para viverem em paz, em harmonia e lutando pelo que acreditam ser felicidade. 

Mas não, não são livres para entregarem as suas vidas nas mãos de um sacerdote ou médico ou cartomante. 

Não, meu querido consulente, não entregue o seu poder de escolha nas mãos de ninguém. Use o oráculo com moderação, acho que uma consulta a cada 6 (seis) meses está de bom tamanho. Dê tempo para que as coisas aconteçam naturalmente. Saiba esperar. 

Sei que vivemos na era do fast = rápido. E tudo acontece rápido demais. Todos andam com pressa, queimam etapas, mesmo sem estarem preparados. O comportamento mudou e as pessoas tornaram-se descartáveis. Digo isso, pois os relacionamentos não são mais duradouros. E muitos sofrem por isso. 

Eu, até abro uma exceção e posso ler as cartas três meses após uma consulta, mas não antes disso, pois se eu incentivar a dependência com As Cartas Ciganas, aí sim, eu estaria sendo uma charlatã. Mas não, eu não sou uma charlatã. Eu respeito a liberdade de cada um. 

É comum as pessoas acharem que o oráculo vai fazer algum tipo de milagre em suas vidas, como se bastasse estalar os dedos e tudo se resolvesse em um passe de mágica. Acorda, minha gente. Não é assim que funciona. 

As cartas apenas apontam um caminho, dado pela própria alma do consulente, mas cabe (somente) à ele caminhar. E isso é responsabilidade de cada um. 

Já passei por situações incríveis: 
- Certa vez um homem que participou de um ritual sexual queria saber se a menina que nasceu do ritual era sua filha. Recolhi as cartas e perguntei se ele havia feito o teste de DNA. Ele respondeu que não, então eu perguntei qual era o impedimento para ele realizar o exame, com um fio de cabelo da menina. Um oráculo não possui nenhum valor jurídico para determinar a paternidade de ninguém.  

- Outra vez uma mulher quis uma consulta grátis pelo facebook. Eu respondi que faria a gentileza de reponder uma única pergunta. Ela, então, me descreveu todas as dores no corpo, tonturas e mal estares generalizados, ela queria saber como estava a saúde, pois ela achava que era "grave". Eu respondi que não fiz medicina, logo eu não sou médica. A minha orientação foi que ela procurasse um médico e não as cartas. Um cartomante não substitui um médico, ok? Ficamos entendidas assim? 

Uma vez eu disse para uma consulente que estava chegando um namorado para ela, "sete" dias depois, ela me ligou, me acusando que ainda não havia conhecido ninguém. Sete dias haviam se passado...apenas sete dias. Duas semanas após os sete dias, esta mesma consulente me ligou ansiosa, dizendo que havia conhecido um rapaz e queria saber se era o tal namorado. Meu Deus, uma pessoa assim não relaxa e não curte a alegria do momento. Cabe à ela decidir se ele é um homem bom e usar a própria sensibilidade para fazer a sua escolha, deixar as coisas acontecerem para ver se a relação ia evoluir para um romance ou não. E não consultei as cartas.

Outro ponto que quero abordar, se você não acredita nas cartas, não procure um cartomante, mesmo que sua amiga, namorada ou mãe falem maravilhas do oráculo. Se você não acredita nas cartas, acredite nisso. Para que você vai gastar a sua energia (e o tempo do cartomante) para testar (ou duvidar) a competência de um profissional?

E tem mais, não insista se o oráculo não disser aquilo que você quer ouvir. Não formule a mesma pergunta com outras palavras, pois você vai obter a mesma resposta. Eu já passei por isso e perguntei a consulente o que ela não havia entendido. E porque a resistência em aceitar a mensagem das cartas. Não canse o oráculo e, por favor, não me canse. 

Meu querido consulente, não se torne dependente de nenhum oráculo. Não se torne dependente de nada. Seja livre. Vivencie a sua liberdade com plenitude. Erre sim, cometa erros sim, mas aprenda a não repetir os mesmos erros. Levante a cabeça, na certeza de uma lição aprendida. Mude a sua postura. Olhe para frente, abra-se para novas possibilidades, acredite em você e no seu potencial, para fazer o que deve ser feito e ser realizar na vida. Acredite nas energias sutis (também chamados de anjos da guarda) que te acompanham. 

Pronto, falei.