Carta 36 - Conquista ou sofrimento?


A cruz é a última carta do baralho cigano. É a carta que figura todas as experiências aprendidas, pois já vivenciou todas as outras 35 cartas. 

Representa a capacidade que cada ser humano tem de se sentir realizado, através de muita luta, muito sacrifício e algumas renúncias. 

Imagine um alpinista que se prepara por meses para escalar uma montanha (21), como o monte Everest, por exemplo. Ele precisa de um bom condicionamento físico, precisa carregar o peso dos suprimentos, tanto da água, dos alimentos e dos primeiros socorros. Sabe dos perigos que vai enfrentar, do frio da noite, que algum animal pode feri-lo ou roubar sua comida, que pode cair e se machucar. Mas a vitória de chegar ao cume da montanha e fincar a sua bandeira é indescritível. Seu prêmio final é deslumbrar o visual que a natureza nos brinda constantemente. 

Imagine um atleta que acorda de madrugada para praticar o seu esporte. Treina diariamente, por horas a fio, por vários meses e até anos. Um atleta tem uma vida muito regrada e cheia de disciplina, tem hora para acordar e para dormir, tem que fazer uma dieta rigorosa, controla os seus movimentos e o seu tempo para se superar mais e mais e para poder vencer os outros atletas. Mas no dia da competição ele conquista a sua medalha tão suada e sobe no podium para recebê-la.

Agora imagine o astronauta Neil Armstrong, o primeiro homem (28) a pisar na lua (32) em 1969. Quantos "anos" de estudo e de preparo, quantas vezes precisou renunciar a família, quantas oportunidades perdidas de brincar com os filhos ou de se divertir. Mas imagine a sua emoção (32) ao conseguir, enfim, pisar na lua.  

Algumas pessoas acreditam (ou foram levadas a acreditar) que carregam fardos pesados, que suportam sofrimentos indescritíveis e infinitos. Algumas pessoas aprenderam que viver é sofrer, é suportar todo o peso do mundo e tem que se conformar com a dor. E, às vezes, fazem isso, sem reclamar. Sofrem caladas, numa resignação silenciosa. 

Outras pessoas renunciam os próprios sonhos, o próprio bem estar ou a própria felicidade em prol dos pais, dos filhos ou da família. 

Essa semana vi um vídeo onde uma menina síria, de apenas 13 anos foi "vendida" para se casar com um homem de 60 anos, enrugado e feio. Ela relatou que era espancada e violentada diariamente. Sim, isso é real e é constante em alguns países, cuja cultura permite essa prática. Seu relato de sofrimento a fez chorar e suas lágrimas foram derramadas sobre a burca. Seus olhos verdes, expressavam uma tristeza profunda. Pude sentir todo o seu sofrimento e chorei com aquela menina. O que mais me impressionou foi que ela disse que precisava ajudar os pais e os irmãos, por serem muito pobres. Imagina o sacrifício dessa menina.  

Algumas pessoas deixam de sair para se divertir, cancelam viagens encima da hora, desistem de investir em um curso ou na faculdade, só para cuidar de alguém da família que adoeceu repentinamente ou para estar com um amigo que se acidentou.

Comecei a trabalhar aos 17 anos, para pagar a minha faculdade e, quando dava, ajudava nas despesas da casa. Essa foi uma fase difícil. Eu deixava de sair para dançar (programa que eu sempre gostei de fazer), deixava de comprar roupas novas, primeiro porque não tinha dinheiro sobrando e segundo para economizar. E isso na casa dos 20 anos. Por um lado eu achava que estava abrindo mão da minha juventude, por outro achava que era o certo a fazer, pois as minhas chances de ser promovida ou de conseguir um emprego melhor seria através da escolaridade e do meu empenho na seguradora que eu trabalhava. Lembro que certo mês, eu recebi 220 mil cruzeiros de salário e a mensalidade na faculdade era 218 mil, então restaram 2 mil para eu passar o mês inteiro, só que um mil cruzeiros era, apenas, o preço de uma única passagem de ônibus. Sim, eu passei por isso e esse referido mês me marcou muito, pois eu não sabia o que fazer, então minha mãe me deu 50 mil cruzeiros para que eu pudesse andar de ônibus por um mês. Mas sabe aquele gostinho da vitória? Sabe quando você conquista uma coisa com muito sacrifício? Foi assim que eu recebi o meu sonhado diploma na colação de grau aos 26 anos de idade. Valeu a pena todos os quatro longos anos de luta. Me senti uma vitoriosa. Aos 27 anos eu, finalmente, fui promovida a técnica senior em uma seguradora multinacional. A partir daí tudo mudou. O salário aumentou, a diversão ampliou, roupas novas, começaram as viagens, montei o meu apartamento....





A música "A Estrada" do Cidade Negra me remete a carta 36 "Você não sabe o quanto eu caminhei para chegar até aqui, percorri milhas e milhas antes de dormir, eu não cochilei. Os mais belos montes escalei. Nas noites escuras de frio chorei..." Cidade Negra.

Acredite em toda a sua luta, no seu sacrifício para conquistar os seus sonhos. Acredite na sua capacidade de conquista. E desfrute das pequenas vitórias que, todos os dias, chegam até você. Conte as suas conquistas e sinta-se um vencedor. 


Dedico esse post a minha amiga Anny Olivedo, da Gramax Gráfica, por todas as renúncias que fez na vida pra ser o que é, uma pessoa que não tem medo de expressar o seu afeto e de amar de peito aberto. 

Dedico o post da vitória a você, Anny Olivedo, por se sacrificar tanto, por trabalhar seis dias da semana, sem hora para acabar e sempre com um sorriso no rosto. Por ser a excelente profissional que é. 





Obrigada por me receber, sempre, com tanto carinho. E pela paciência que você me dedica.

Valeu por ter criado a logo AS CARTAS CIGANAS os cartões de visita, banner... 

Obrigada por criar a arte do meu baralho Luz do Sol. Sei o trabalho ENORME que te dei.